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Gazeta Mercantil
Data: 12.02.2009
Por: Luciano Máximo
 
Com 24 milhões de participantes, títulos da sorte giram R$ 9 bilhões
 

O brasileiro está poupando mais via capitalização. Anos depois da mancha deixada no mercado pelas irregularidades do Papatudo e do banco Interunion, na década de 1990, o setor recupera gradativamente a confiança do consumidor. Estimativa da Federação Nacional de Capitalização (Fenacap) revela que cerca de 24 milhões de pessoas têm um produto. Em 2008, as únicas 12 empresas ativas no segmento movimentaram R$ 9,012 bilhões, crescimento de 15,13% sobre os R$ 7,828 bilhões faturados no ano anterior.

Comercializados no País desde 1929, os títulos da sorte caíram nas graças dos grandes bancos e estão na ponta da língua dos gerentes de agências, que não perdem tempo em empurrar o produto aos clientes. Não poderia ser diferente, a capitalização já ultrapassou a marca do bilhão no faturamento de Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, que respondem por mais de 50% do mercado brasileiro.

A presidente da comissão de produtos da Fenacap, Rita Batista, se surpreendeu com a expansão do setor. “Esperava menos, um crescimento entre 10% e 12%, porque 2008 foi um período de transição. A Susep (Superintendência de Seguros Privados, autarquia governamental que regula a atividade) criou novas regras para a comunicação do clausulado a comunicação do clausulado e para o desenho de produtos. Isso obrigou empresas a recolher produtos”, explica. Segundo a executiva, o mercado conta agora com quatro modalidades reconhecidas pela Susep: financeira (título tradicional), compra programada (título com vantagem na aquisição de bens), popular (nos moldes de Telesena) e escritural (plano normalmente adquirido por uma empresa, que oferece os prêmios sorteados a seus clientes). “Houve melhora na transparência e o setor trabalhou com muita criatividade para alavancar as vendas, com produtos mais diversificados”, diz Rita.

A crise financeira não interferiu na produtividade do mercado, tanto é que a expectativa é “roubar” investidores. “Não chegamos ao aplicador que procura multiplicar seu patrimônio. Mas agora, com queda dos juros, rendimentos mais baixos, há aplicadores que consideram ter um retorno menor e tentar a sorte no sorteio”, prevê a executiva, lembrando que a BrasilCap, empresa de capitalização do Banco do Brasil, oferece um título atrelado à bolsa de valores.

Já a SulAmérica, por meio da SulaCap, tem como carro-chefe um plano de capitalização que funciona como Garantia de Aluguel. “É muito constrangedor pedir para uma pessoa ser fiadora. Com esse produto, o participante negocia o valor do título com o locador, faz um pagamento único (preço da fiança) e concorre a sorteios durante a vigência do prêmio. O resgate só pode ser feito com a autorização do lacatário”, conta Sérgio Diuna, vice-presidente da SulaCap. Mais de 50 mil clientes detêm o título, que responde por 44% do faturamento da companhia, de R$ 340 milhões.

A capitalização não é considerada um investimento, apesar de ser um instrumento financeiro de acumulação que conta com a possibilidade de concorrer a prêmios por sorteios.

A aplicação é sujeita a taxas e, nas operações básicas, o valor depositado pode ser resgatado totalmente com correção pela Taxa Referencial (TR). O ganho das companhias vem do investimento dos recursos dos participantes no mercado financeiro. As reservas das empresas terminam 2008 com um volume de R$ 13,45 bilhões. O grosso desse montante está depositado em títulos públicos.

 
 
     
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